
.Vi a gravura de
Stina Persson e lembrei desta fotografia da minha mãe, tirada em Porto Alegre, junho/1969! Iguais!
Ela tinha 35 anos e tanta energia, tanta vitalidade, tantos planos! Não parava nunca!! Falava, fumava e gesticulava muito! Ria alto! Não ficava quieta! Aquela energia parecia inesgotável e prometia uma vida sempre assim, movimentada, agitada...
Estas fases se alternavam com depressões profundas, uma tristeza absurda...
Ela só foi diagnosticada como
bipolar em 1982. Medicada com lítio passou alguns anos com humor estabilizado, levou uma vida "normal", marcada pelo temperamento forte, intransigente, polêmico, crítico! Entrou em depressão novamente há quatro anos atrás, com duas overdoses de medicamentos, internações em hospital, tratamentos vários, muitos médicos, especialistas em psiquiatria, neurologia, geriatria, química... Desta vez a depressão veio misturada com muita ansiedade, inquietude, agitação... Agravou-se com a perda do filho mais novo.
Difícil acreditar na vida que ela está levando. Quieta, dependente, triste, magoada, rancorosa, queixosa, infeliz...
Estive com ela em Lavras, agora. Está completamente isolada, no seu mundo particular, aprisionada na sua doença e no seu próprio corpo - que é só no que ela presta atenção. Se vai comer, ir ao banheiro, dormir... Simplesmente ela não consegue se concentrar em nada que não seja seu bem ou mal estar, seus sintomas, sua doença, suas tristezas...
É difícil de entender o que se passa com ela. Lembra de tudo, sabe o que está acontecendo mas não interage, não reage. Fica indiferente. Espera que a cura venha dos remédios, de médicos, pede para ser hospitalizada... Quem dera isso pudesse ajudar! Tudo já foi tentado - e continua sendo!
Nos raros momentos em que assiste TV ou se liga em alguma coisa, parece bem. Mas são momentos breves e ela volta a se fechar na sua doença.
Onde se escondeu a Dona Célia?