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19.6.26

O que ela quer da gente é coragem



Guimarães Rosa falou lindamente sobre isso:

"O correr da vida embrulha tudo.
 A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, 
sossega e depois desinquieta. 
O que ela quer da gente é coragem."

16.6.26

Noite de Geada

de Jorge Lima

A noite ronda a querência
Prenúncio de vento e geada
E a tarde que fez morada
Num pôr de sol colorado
Reponta um lote de gado
Que corta a invernada ao meio
No instinto primitivo
De vir dormir no rodeio.

Até os cuscos do rancho
Se misturam com a peonada
Que guapeiam a noite braba
Tentiando o fogo de chão
A cuia de mão em mão
Num gesto rude e fraterno
Aquece o peito gaudério
No tempo brabo de inverno.

Um potro junto ao galpão
Relincha como sabendo
Que o dia que está morrendo
No poncho da noite negra
É outra manhã que chega
Com rodeio e campereada
Na lida bruta de campo
E patas quebrando geada.

O minuano debochado
Por entre as frestas assobia
E esta xucra melodia
Inspira versos e rimas
Atira cinza pra cima
Neste bailado sem fim
Revirando os picumãs
Agarrados no capim.

Num repente uma cordeona
Acorda o galpão inteiro
No improviso do gaiteiro
O verso abre a cancela
E o timbre forte da goela
Quebra o silêncio e a calma
Dizendo coisas bonitas
Que brotam dentro da alma.

Mais tarde nas horas mortas
Reina o silêncio nas casas
E o angico vira brasas
No borralho fumacento
A noite num passo lento
Até parece que parou
Pra enxugar o pranto de geada
Que a madrugada chorou.

Assim que clareia o dia
Fogo aceso, mate recém cevado
Eu me paro emocionado
Diante de tanta beleza
E vejo a mãe natureza
Nos mostrar o que é capaz
Que a geada é a bandeira branca
Do campo pedindo paz!

 _________________________

20.4.26

"Pra escutar certos pensamentos
Tem que parar por uns momentos
Até sentir que a cabeça flutua
A caminho do mundo da Lua"

Silvana Tavano 

                                                                                        12/04/2026

10.4.26

Aqui & Agora


"O tempo corre, congela ou demora
Tudo depende do que acontece em cada hora
O segredo é lembrar que entre o antes e o depois
Mora o tempo que se chama agora"

6.4.26


      "ninho

passarinho, abrigo, leite em pó
casa na árvore, carinho, colo de avó

gravetos e ramos entrelaçados num grande nó
abraço e amor misturados numa coisa só"

21.12.25

Vem logo, verão!


o sol acorda cedo
e descansa é à tarde
quando vem a tempestade

mas logo reaparece
e clareia o céu
num novo amanhecer

porque é verão
o dia quase esquece
de adormecer
e a noite perde a hora
de escurecer

14.12.25

"De tento e trança"


Na volta que o laço tem,
se desenrodilha a esperança,
Que o campeiro se mantém,
como tento firme na trança .

E se esparrama na armada
Guardando toda a memória
De quem se fez invernada
Plantando a própria história.

Segue retoçando o tempo
A cada volta do braço
Fera cortando o vento
Pra se perder no espaço.

E guardar toda lembrança
Do rodeio parado em ritual
Que se sujeita pela trança
A rudeza d'um tempo bagual.

12.11.25

Herança

Os versos do Ricardo contam a história de cada objeto que veio enfeitar nossa casa... Adorei! 
O relho e a guampa eram do seu Avô Marcolino. A boleadeira, de um índio Charrua, do Uruguai. O rabicho, dos arreios da minha mãe, Célia. O mango, cabo de alpaca, o Ricardo comprou para os Desfiles de 20 de Setembro. O rabo de tatu foi presente que meu pai, Donairo, deve ter ganhado de alguém...
O suporte, lindo, foi presente da Graça Borges.


Tem um tanto de história,
Em cada peça guardada.
Tem afeto e tem memória
Das lidas que foi usada

Um relho, é apenas um relho
Que parceiro de campereada
Sempre trazia um conselho
Prá onde se ia na estrada.

Rabicho recuerdo esquecido
De uma zaina bem domada
De um color bem parecido
Com a sela um tanto sovada

E as três marias parceira
Na cintura andavam atada
Ter destino de boleadeira
Uma pedra índia, retovada

E assim hoje numa parede
Uma herança dependurada
Que vem nos matar a sede
Nesta Querência renovada.

12.6.25

Nosso dia

                                                                                                                               Do Instagram do Ricardo.

Tem um tanto de lembrança
Na dança que a gente vive
Sempre buscando por mais
Dessa paz que contigo tive
Onde meu braço descansa
E alcança bem mais que quero
Na rotina que dia após dia
Se aquerencia tudo que espero
 Ter a lembrança junto comigo
E ter o abrigo do teu abraço
Que posso andar ao teu lado
E enamorado neste compasso
Que então venham mais outros
E por poucos seguem somando
Nas tantas datas que teremos
E seguiremos assim namorando.

7.5.25

Chuva!


"É linda a chuva que cai
nos campos da minha Lavras
eu agradeço em palavras,
pensamento e oração
Que a chuva traga ao rincão
consolo, fé e esperança
e consuma com a tristeza
que a seca trouxe pra o chão."


Chico Lopes

26.4.25

Na hora do mate


Que siga a minha alma leve
E me leve trompando a lida
Que a vida é um recomeço
Cada tropeço, outra recorrida

O sonho tem o rumo que merece
E esquece do tempo que atropela
Se uns andam quietos mateando
Outros lidando já passaram a cancela

Bem assim, a vida é só cruzada
A madrugada faz enxergar adiante
Cada instante a gente agradece
No mate em prece, o foco distante...

E vamo de rima tropeando versos
Por dispersos sonhos escondidos
Se merecidos serão a fé renovada
E alvorada de dias menos doloridos


Versos e fotografia Ricardo Félix Haas.

15.4.25

12 anos! 💖

"que a vida é breve, eu sei 
que teus versos são moradas
também sei
sei também que quando me olhas
com todos os teus olhos
me diz sempre o exato
a medida certa
e que quando me abraça
são tantos braços que cobrem
que a noite fria nem percebo
e ainda sei que teu sorriso
combina com o meu
e que são sempre mais bonitos
quando juntos estamos
e além de tudo, ainda sei
que quando estás ausente
muito do mundo se desfaz
se perde numa saudade
de uma linha do tempo
de um vento que passou
e eu nem vi"


Fotos que tiramos de abril/2024 até agora...
E me vem aquele pensamento, tão verdadeiro:
"Para um casamento dar certo, ambos precisam lutar. 
Um pelo outro, nunca contra o outro."
Te amo, meu Gaudério!
💖💖💖

2.4.25

Poesia


"cola teu olhar com poesia
que as coisas lindas que viste
jamais te sairão do coração..."


13.3.25

Nuvens de floquinhos de algodão


Nuvens "cúmulos"? Nãooo!
Prefiro as de algodão. 
(Doce. Que derretem no céu... da boca!)

______________________


"e ela que sempre foi de olhar para o céu
de encontrar uns trecos em nuvens
e viajar na linha azul do vento
acabou por aprender
que eram nas coisas do chão
que existia tudo aquilo
que sempre procurou
que um dia imaginou
e nos sonhos encontrou..."

17.1.25

Em preto&branco ♥

                                                                  Cecília Meireles
         
"De que são feitos os dias?
- De pequenos desejos,
vagarosas saudades,
silenciosas lembranças."

13.12.24

Envelhecer é... enjoadinho!


Filtros! Melhor não tê-los.
Mas se não temos, como sabê-lo?

(Uma livre adaptação do Poema Enjoadinho, do Vinicius de Moraes, 
serve de legenda para a foto que tirei, antes da formatura do Henrique.)

27.11.24

Morada


Imagem do Pinterest. 

"Eu moro em mim.
Sempre deixo as janelas entreabertas pra sentir o sopro de raros afetos.
A porta? Só abro para poucos.
Todos os dias, eu percorro meus cômodos, corredores e contemplo a vida pela varanda.
Mas, as gavetas...
Ah... As gavetas?
Ainda não dá para abri-las.
Senão, acabo tendo que morar dentro delas."

(Não sei o autor desse texto. Li que é do Mário Quintana, não tenho certeza.)

22.11.24

15.10.24

 


"...uma lua espetada, na torre da igreja!"

Como não lembrar da poesia do Tio Beto?
(Edilberto Teixeira)

29.9.24

Estrelas


"Se as pessoas sentassem lá fora e olhassem as estrelas todas as noites,
 aposto que viveriam a vida de forma muito diferente."

Imagem Pinterest
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Como não lembrar desse soneto, do Olavo Bilac?
Soneto XIII

Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A via-láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.

Olavo Bilac
(Poesias, Via Láctea, 1888.)

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