"Você sabem que defendo a feminilidade, a beleza como virtude. Acredito que devamos sim nos cuidar muito bem e zelar pela aparência, buscando harmonia, equilíbrio e radiância. Mas eu não vou dizer que esse vídeo não falou umas boas verdades. Eu não vou ser a blogueirinha que em busca de agradar uma bolha específica, deixe de crítica quando precisa ser.Uma coisa é cuidar de si. Outra coisa muito diferente, é ser escrava do sistema. E pior, um sistema que se apoia na carência e na necessidade de validação da mulher atual.A mulher não tá cuidando de si. Muitas estão tentando corrigir a própria existência. E eu acho muito triste o que fizeram com a mulher.Fizeram a gente acreditar que envelhecer é uma tragédia, que ter celulite é desleixo, que ter linha de expressão é abandono, que ter poros é defeito, que ter barriga é fracasso, que ter um corpo que parece um corpo humano é quase uma afronta.E o pior é que venderam tudo isso com o nome de “autocuidado”. Mas esse “autocuidado” tem raiz num lugar tenebroso: a rejeição.A necessidade de ser amada, de se equiparar, não de não ficar pra trás, de ser escolhida, de estar em evidência; de não ser trocada, de ficar parecida com a fulana, e completa ausência de identidade, tem fomentado o maior mercado de todos os tempos. O mercado da ilusão feminina de ser especial. De ser a mais bonita… porque um dia você acreditou que beleza põe mesa.Se pergunte: e se ninguém pudesse ver?Se não existisse Instagram, se não existisse foto, se não existisse story, se você nunca pudesse postar o antes e depois, se ninguém soubesse que você fez aquele procedimento, você ainda faria metade do que faz?Sua resposta diz muita coisa.90% não é sobre beleza.É sobre ter atenção.Sobre ser desejada.Sobre ser escolhida.Sobre validação.Sobre não se sentir inferior à próxima mulher que aparecer na tela.E é aqui que tudo fica ainda mais absurdo.Mulheres estão literalmente cortando o próprio corpo, injetando substâncias no rosto, alterando traços, vivendo com fome, se endividando, sofrendo dor, tudo para alcançar um padrão que muda a cada poucos anos."
"Mulheres estão literalmente cortando o próprio corpo,
injetando substâncias no rosto, alterando traços, vivendo com fome,
se endividando, sofrendo dor,
tudo para alcançar um padrão que muda a cada poucos anos."










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