20.6.17

Cores


Às vezes dá vontade de colorir um móvel, inventar alguma coisa, alegrar a casa...

12.6.17

Quando o amor amadurece

Carpinejar


"Passou da rebentação e se tranquiliza para as braçadas. No raso, as ondas quebram e fazem o dobro do barulho. Quando encontra a afinidade, consegue boiar no olhar do outro. O mar é igual, somente se encontra mais no fundo dele.

Não há mais aquelas brigas homéricas, as discussões duram cada vez menos. Não há mais aquelas viradas sexuais de madrugada, a intimidade tem seus atalhos. Não há mais aquelas conversas intermináveis na cozinha, os horários são mais honrados. É o fim de um ciclo, não é o último capítulo do romance.

Existe uma pressão para que os casais sejam sempre adolescentes apaixonados, agarrando-se em qualquer lugar, com a ansiedade da língua entre os dentes. Mas o casal cresce e aprende a amar no silêncio, na telepatia de uma música, no sofá da preguiça, na companhia de um livro, na dança separada da rotina. O amor público e escandaloso do início torna-se privado e constante. Não é pior, nem melhor, é uma fase necessária para seguir se conhecendo. Já convivem para saber o que é certo e errado, o que deve ser dito ou não, o que causa confusão e o que traz segurança. É a experiência de antever os problemas e procurar soluções antes do choque. Suspira-se no lugar de gritar, afasta-se no lugar de implicar.

Pode sugerir que cansou e que se acostumou, pode transparecer cedência, retração e anulação de personalidade. Pois não se vê com o mesmo vigor e intensidade de antes, com a mesma selvageria do desejo. Só que a consolidação do namoro prevê exatamente a baixa da guarda e das defesas.

Quantos pares se separam por acreditar que o relacionamento se amornou? E não é verdade, os laços estão distintos, costurados em amizade e entendimento. A adrenalina da aventura é agora o respeito às diferenças.

Temos a necessidade de impor a paixão como demonstração de amor. O amor fala por si, não admite comparação. Envelhecer juntos requer a solidão a dois. Uma solidão feliz e pacífica.

É quando o casamento não divide apenas o espaço, divide o mais difícil de se repartir: o tempo."



Não tivemos brigas homéricas nem discussões, mas temos aprendido a delícia de um amor que veio para ficar...

Dia dos Namorados



Súbita delicadeza

"Sou suscetível a palavras, tons, ao modo como argumentam me abrindo os braços ou fechando o caminho das ternuras. Nasci assim, como pássaro que sente a direção do vento, a sutileza do sopro, a temperatura da brisa.

Então, em caso de amor, que me conduzam com beijos na trilha do corpo em geografia plena, com a carícia que ensina a cada poro a lição da doçura, com a umidade que fertiliza momentos que nos dão movimentos de pétalas.

Porque o amor, ainda que inserido na brevidade de um dia ou na eternidade dos séculos, existe para derreter nossas camadas de orgulho, de raiva e de impaciência, tocando nosso coração com a peculiaridade das coisas feitas para suavizar a crueza do mundo.

O amor é a passagem possível para um estágio de súbita delicadeza, desejos que se conjugam, verbo derramado com a generosidade do alimento farto.

Então, em caso de amor, não corrijam meus possíveis erros com exaltada fala ou com interpretações duras. Antes, reconheçam que aquilo que se vive por amor será, no fim de tudo, a única força capaz de reverter o imponderável encontro com o vazio, iluminando os dias passados com pequenos insigths de felicidade."

(Texto do livro "Todas as Mulheres em Mim", de Celia Musilli)




10.6.17

Gordinhas já foram moda...

"A preocupação com o ponteiro da balança está longe de ser apenas uma preocupação com a saúde. Essa neura com o peso não vem dos tempos mais remotos. Basta espiar as obras de arte dos séculos passados e ver que a figura feminina idealizada ali concentrava mais gordura do que as top models de hoje. O quadril largo, as coxas generosas, o rosto mais cheinho eram traços pra lá de valorizados nas musas.

Ainda que o padrão em si tenha mudado pra valer, a lógica por trás dele permanece. “Os padrões que aparecem ao longo da História são, como regra, acessíveis a poucos”, aponta a psicóloga Joana de Vilhena Novaes, Coordenadora do Núcleo de Doenças da Beleza e representante da Fundação Dove para a Autoestima no Brasil.

Quando fazer as três refeições básicas diariamente era um luxo e morrer de fome era um destino comum para as pessoas, a gordura alcançava status de privilégio. Agora, já que temos mais comida à disposição, mais jeitos de conservá-la e nossos armários ficam carregados de biscoitos, salgadinhos e similares, comer é fácil. Portanto, não é de estranhar que as modelos extremamente magras sejam colocadas em um pedestal. É mais difícil ser muito magra com tantas calorias à disposição.

O corpo magro e jovem também exige cada vez mais procedimentos estéticos e cirurgias para atingir a dita “perfeição” – ou, pra ser mais direto, exige grana, que vira mais um obstáculo. Imagina só o dinheiro necessário para bancar o 1,5 milhão de cirurgias plásticas realizadas anualmente só no Brasil, de acordo com a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica e Estética.

Mas não é essa a única explicação que surgiu para a mudança nos padrões. Uma delas veio do livro O Mito da Beleza, da jornalista americana Naomi Wolf, publicado na década de 90. A sacada dessa publicação foi relacionar o novo modelo com a emancipação das mulheres, quando tantas delas assumiram postos de trabalho e quando seus direitos passaram a ser assegurados. Em poucas palavras, Naomi defende que há mecanismos que dominam a mulher na sociedade – e, depois de se libertar de um deles, surgiu outro, o tal mito da beleza.

E daí viriam os sacrifícios todos, as dietas malucas, as técnicas cirúrgicas incrementadas a cada mês – justamente porque a sociedade passou a pregar que os malabarismos eram necessários para que as mulheres fossem aceitas. E os dados trazidos pela autora assustam, já que demonstram como, pouco a pouco, o problema avançou e tomou forma. As modelos passaram a ser 23% mais magras do que uma mulher padrão (e não mais 8%, como costumava ser, com as moças mais cheinhas)."



“Uma fixação cultural na magreza feminina não é uma obsessão pela beleza feminina, mas uma obsessão pela obediência feminina”. 
Naomi Wolf


"Qualquer mulher que desobedeça um padrão, voluntariamente ou involuntariamente, é taxada de feia, estranha ou desleixada. Afinal, o corpo da mulher está aí para ser observado." 
(Link)

Voltarão a ser?



Bruna Erhardt passou 14 anos lutando contra a balança para ser modelo.
Leia reportagem nesse link: Top tenta virar plus size.

Só para registrar

Tenho observado que, aos poucos, modelos "não tão jovens" começam a aparecer nos editorias de moda e comerciais.
São novos tempos, mais flexíveis e realistas. Ainda bem!

 

 

Estilo After 40


Blog muito interessante: Estilo After 40

 

"Muitas vezes não precisamos de nada complexo
para encontrar a verdadeira essência das coisas."

Imagens Pinterest

9.6.17

Canecas!

 

 

 

Quem resiste?

"Perfeitamente imperfeita"


"A mesa da cozinha é o coração da casa"
"Por esse motivo, nunca consegui comprar uma nova mesa, que deveria ser mantida envernizada/ lustrada/ encerada religiosamente e em perfeitas condições
Minha mesa tem valor sentimental e espero muitas outras refeições, compartilhando histórias e risos com amigos e familiares, vendo meu filho completar sua lição de casa e até mesmo sentar-se com uma xícara de chá. 

É também por isso que sempre está enfeitada com flores frescas..."





“As crises nos acordam para as coisas boas que não percebemos”.

Leitura interessante aqui.

Xô, velhice!


Aprendizado necessário. Saber como acontece e fazer diferente.
"Velhos se recusam a aprender novidades; resistem ao uso do telefone celular, usam o computador só pra jogar paciência. Obedecem a horários rígidos (almoço ao meio-dia, todo santo dia). Detestam imprevistos, mudanças. Velhos não se conformam com as guinadas que a vida dá, ficam remoendo as perdas, parados num tempo que ficou pra trás. Principalmente, interessam-se pouco pelos outros e muito por si mesmos; o que vão comer no almoço e quantas vezes acordaram à noite são temas obrigatórios de conversa.
O desinteresse pelo novo chega devagar, razão pela qual demora a ser percebido como sintoma de velhice. Primeiro, o assunto dos outros deixa de interessar, depois as atividades e os lugares perdem toda a graça, então a pessoa vai se fechando no seu mundo interior, desinteressada do que ocorre à volta.
Em qualquer idade, enquanto há receptividade para o outro, a pessoa não se sente velha, nem é vista dessa forma. Se, além de receptiva, souber buscar novas fontes de interesse, tornar-se-á capaz de criar situações e condições para o seu prazer. 
Sobreviver é arrastar-se pela vida, às vezes até contente por ainda estar neste mundo, mas sem disposição para fazer a diferença ou acrescentar algo. Viver é mudar conforme as circunstâncias, aceitar o novo ritmo, sem queixas ou resmungos, pelo prazer de gerenciar o próprio destino. Viver é procurar razões para cada despertar."
Flickr
“Nada lhe posso dar que não exista em você mesmo.
Não posso abrir-lhe outro mundo além daquele que há em sua própria alma.
Nada lhe posso dar a não ser a oportunidade, o impulso, a chave.
Eu ajudarei a tornar visível o seu próprio mundo.”

Herman Hesse / Link

31.5.17

Maio, no Galpão

Frio+Chuva= Lareira
Lareira= Comidinhas sem ter fim!
Assim foram nossos dias no Galpão nesse mês de maio! 
Casa aquecida para esperar o Ricardo chegar do campo e ficarmos na beira do fogo.
Amo muito tudo isso!
***
Nas fotos figada e doce de laranja que ganhamos da D. Berenice e doce de abóbora que ganhamos da Edinara. Vida na campanha tem dessas delícias!
***
Tem também foto da Luiza na RBS TV Pelotas, em reportagem sobre a Fenadoce.
Maravilhosa!

30.5.17

A falsa liberdade e a síndrome do “ter de”

Lya Luft / Link

"Essa é uma manifestação típica do nosso tempo, contagiosa e difícil de curar porque se alimenta da nossa fragilidade, do quanto somos impressionáveis, e da força do espírito de rebanho que nos condiciona a seguir os outros. Eu tenho de fazer o que se espera de mim. Tenho de ambicionar esses bens, esse status, esse modo de viver – ou serei diferente, e estarei fora.

Temos muito mais opções agora do que alguns anos atrás, as possibilidades que se abrem são incríveis, mas escolher é difícil: temos de realizar tantas coisas, são tantos os compromissos, que nos falta o tempo para uma análise tranquila, uma decisão sensata, um prazer saboreado.

A gente tem de ser, como escrevi tantas vezes, belo, jovem, desejado, bom de cama (e de computador). Ou a gente tem de ser o pior, o mais relaxado, ou o mais drogado, o chefe da gangue, a mais sedutora, a mais produzida. Outra possibilidade é ter de ser o melhor pai, o melhor chefe, a melhor mãe, a melhor aluna; seja o que for, temos de estar entre os melhores, fingindo não ter falhas nem limitações. Ninguém pode se contentar em ser como pode: temos de ser muito mais que isso, temos de fazer o impossível, o desnecessário, até o absurdo, o que não nos agrada –  ou estamos fora.

A gente tem de rir dos outros, rebaixar ou denegrir nem que seja o mais simples parceiro de trabalho ou o colega de escola com alguma deficiência ou dificuldade maior.  A gente tem de aproveitar o mais que puder, e isso muitos pais incutem nos filhos: case tarde, aproveite antes! (O que significa isso?) A gente tem de beber em preparação para a balada, beijar o maior número possível de bocas a cada noite, a gente tem de.

A propaganda nos atordoa: temos de ser grandes bebedores (daquela marca de bebida, naturalmente), comprar o carro mais incrível, obter empréstimos com menores juros, fazer a viagem maravilhosa, ter a pele perfeita, mostrar os músculos mais fortes, usar o mais moderno celular, ir ao resort mais sofisticado.

Até no luto temos de assumir novas posturas: sofrer vai ficando fora de moda.

Contrariando a mais elementar psicologia, mal perdemos uma pessoa amada, todos nos instigam a passar por cima. “Não chore, reaja”, é o que mais ouvimos. “Limpe a mesa dele, tire tudo do armário dela, troque os móveis, roupas de cama, mude de casa.” Tristeza e recolhimento ofendem nossa paisagem de papelão colorido. Saímos do velório e esperam que se vá depressa pegar a maquilagem, correr para a academia, tomar o antidepressivo, depressa, depressa, pois os outros não aguentam mais, quem quer saber da minha dor?

O “ter de” nos faz correr por aí com algemas nos tornozelos, mas talvez a gente só quisesse ser um pouco mais tranquilo, mais enraizado, mais amado, com algum tempo para curtir as coisas pequenas e refletir. Porém temos de estar à frente, ainda que na fila do SUS.

Se pensar bem, verei que não preciso ser magro nem atlético nem um modelo de funcionário, não preciso ter muito dinheiro ou conhecer Paris, não preciso nem mesmo ser importante ou bem-sucedido. Precisaria, sim, ser um sujeito decente, encontrar alguma harmonia comigo mesmo, com os outros, e com a natureza na qual fervilha a vida e a morte é apaziguadora.

Em lugar disso, porém, abraçamos a frustração, e com ela a culpa.

A culpa, disse um personagem de um filme, “e como uma mochila cheia de tijolos. Você carrega de um lado para o outro, até o fim da vida. Só tem um jeito: jogá-la fora”. Mas ela tem raízes fundas em religiões e crenças, em ditames da família, numa educação pelo excessivo controle ou na deseducação pela indiferença, na competitividade no trabalho e na pressão de nosso grupo, que cobra coisas demais.

Dizem que devemos nos informar melhor, mas quanto mais informação, mais dúvidas; quanto mais abertura, mais opções; quanto mais olhamos, mais se expande a tela onde se projetam nosso desejos.

Nessa rede de complexidades, seria bom resistir à máquina da propaganda e buscar a simplicidade, não sucumbir ao impulso da manada que corre cegamente em frente. Com sorte, vamos até enganar o tempo sendo sempre jovens, sendo quem sabe imortais com nariz diminuto, boca ginecológica e olhar fatigado num rosto inexpressivo. Não nos faltam recursos: a medicina, a farmácia, a academia, a ilusão, nos estendem ofertas que incluem músculos artificiais, novos peitos, pele de porcelana, e grandes espelhos, espelho, espelho meu. Mas a gente nem sabe direito onde está se metendo, e toca a correr porque ainda não vimos tudo, não fizemos nem a metade, quase nada entendemos. Somos eternos devedores.

Ordens aqui e ali, alguém sopra as falas, outro desenha os gestos, vai sair tudo bem: nada depressivo nem negativo, tudo tem de parecer uma festa, noite de estreia com adrenalina a aplausos ao final."


"Se pensar bem, verei que não preciso ser magro nem atlético nem um modelo de funcionário, não preciso ter muito dinheiro ou conhecer Paris, não preciso nem mesmo ser importante ou bem-sucedido. Precisaria, sim, ser um sujeito decente, encontrar alguma harmonia comigo mesmo, com os outros, e com a natureza na qual fervilha a vida e a morte é apaziguadora."

Reportagem interessante com Adam Phillips, psicanalista inglês, sobre o mesmo tema neste link:
“A ideia de uma vida boa foi substituída pela de uma vida a ser invejada.”


29.5.17

Glória Pires e Cleo Pires

Gloria: 
"Acredito que a beleza vem de dentro, em todos os aspectos. O que acho bonito em uma mulher é quando ela se assume como é, buscando uma versão melhor, mas sem loucura, sem exageros, se aceitando, se abraçando, com sua personalidade e defeitos."
Cleo:
"Uma pessoa bonita para mim é uma pessoa que faz o melhor que pode com aquilo que tem. Você muda as coisas que pode e o que não pode, faz daquilo uma força. A pessoa é bonita quando está confortável na sua pele." 



Bem assim


Nem sempre as coisas são como gostaríamos que fossem. Mas acredito que, apesar disso, podemos viver bem. Nossa rotina pode ser boa. Muito boa.
Nada de adiar a alegria que pode ser sentida agora!

Via Facebook 

25.5.17

Saudade é presença de amor

Post dedicado ao Didi e ao Pedro. 

12 anos sem ele...
 
"Não há como negar: sou feito da sua presença e da sua falta. Ambas me constituem, me fazem quem sou. 
Te amo e quero dizer: muito obrigado. Por ter ficado tempo suficiente para me ensinar a ser forte."
(Fragmento de um texto da Cris Guerra.)


"Importa menos o tamanho da nossa dor do que o que realmente decidimos fazer com ela."

24.5.17

Matando (um pouquinho) as saudades!


Passei uns dias em Pelotas, pertinho da minha duplinha amada! 
Henrique ♥  Elisa

Henrique, 7 anos, de cabelo crespinho, jogando basquete e futebol, lendo tudo, deixando os dentinhos de leite para trás!
Elisa, 6 meses, ficando loirinha, aprendendo a sentar e pegar os brinquedos, descobrindo tudo e dando sinais de que os primeiros dentinhos vão aparecer!

Lindos, amados demais!

23.5.17

Sobre nosso momento político


A importância da Lava-Jato
José Padilha

Vinte e sete enunciados sobre a oportunidade de desmontar o mecanismo de exploração da sociedade brasileira

1) Na base do sistema político brasileiro, opera um mecanismo de exploração da sociedade por quadrilhas formadas por fornecedores do estado e grandes partidos políticos. (Em meu útimo artigo, intitulado Desobediência Civil, descrevi como este mecanismo exploratório opera. Adiante, me refiro a ele apenas como “o mecanismo”.)

2) O mecanismo opera em todas as esferas do setor público: no Legislativo, no Executivo, no governo federal, nos estados e nos municípios.

3) No Executivo, ele opera via superfaturamento de obras e de serviços prestados ao estado e às empresas estatais.

4) No Legislativo, ele opera via a formulação de legislações que dão vantagens indevidas a grupos empresariais dispostos a pagar por elas.

5) O mecanismo existe à revelia da ideologia.

6) O mecanismo viabilizou a eleição de todos os governos brasileiros desde a retomada das eleições diretas, sejam eles de esquerda ou de direita.

7) Foi o mecanismo quem elegeu o PMDB, o DEM, o PSDB e o PT. Foi o mecanismo quem elegeu José Sarney, Fernando Collor de Mello, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff e Michel Temer.

8) No sistema político brasileiro, a ideologia está limitada pelo mecanismo: ela pode balizar políticas públicas, mas somente quando estas políticas não interferem com o funcionamento do mecanismo.

9) O mecanismo opera uma seleção: políticos que não aderem a ele têm poucos recursos para fazer campanhas eleitorais e raramente são eleitos.

10) A seleção operada pelo mecanismo é ética e moral: políticos que têm valores incompatíveis com a corrupção tendem a ser eliminados do sistema político brasileiro pelo mecanismo.

11) O mecanismo impõe uma barreira para a entrada de pessoas inteligentes e honestas na política nacional, posto que as pessoas inteligentes entendem como ele funciona e as pessoas honestas não o aceitam.

12) A maioria dos políticos brasileiros têm baixos padrões morais e éticos. (Não se sabe se isto decorre do mecanismo, ou se o mecanismo decorre disto. Sabe-se, todavia, que na vigência do mecanismo este sempre será o caso.)

13) A administração pública brasileira se constitui a partir de acordos relativos a repartição dos recursos desviados pelo mecanismo.

14) Um político que chega ao poder pode fazer mudanças administrativas no país, mas somente quando estas mudanças não colocam em xeque o funcionamento do mecanismo.

15) Um político honesto que porventura chegue ao poder e tente fazer mudanças administrativas e legais que vão contra o mecanismo terá contra ele a maioria dos membros da sua classe.

16) A eficiência e a transparência estão em contradição com o mecanismo.

17) Resulta daí que na vigência do mecanismo o Estado brasileiro jamais poderá ser eficiente no controle dos gastos públicos.

18) As políticas econômicas e as práticas administrativas que levam ao crescimento econômico sustentável são, portanto, incompatíveis com o mecanismo, que tende a gerar um estado cronicamente deficitário.

19) Embora o mecanismo não possa conviver com um Estado eficiente, ele também não pode deixar o Estado falir. Se o Estado falir o mecanismo morre.

20) A combinação destes dois fatores faz com que a economia brasileira tenha períodos de crescimento baixos, seguidos de crise fiscal, seguidos ajustes que visam conter os gastos públicos, seguidos de novos períodos de crescimento baixo, seguidos de nova crise fiscal...

21) Como as leis são feitas por congressistas corruptos, e os magistrados das cortes superiores são indicados por políticos eleitos pelo mecanismo, é natural que tanto a lei quanto os magistrados das instâncias superiores tendam a ser lenientes com a corrupção. (Pense no foro privilegiado. Pense no fato de que apesar de mais de 500 parlamentares terem sido investigados pelo STF desde 1998, a primeira condenação só tenha ocorrido em 2010.)

22) A operação Lava-Jato só foi possível por causa de uma conjunção improvável de fatores: um governo extremamente incompetente e fragilizado diante da derrocada econômica que causou, uma bobeada do parlamento que não percebeu que a legislação que operacionalizou a delação premiada era incompatível com o mecanismo, e o fato de que uma investigação potencialmente explosiva caiu nas mãos de uma equipe de investigadores, procuradores e de juízes rígida, competente e com bastante sorte.

23) Não é certo que a Lava-Jato vai promover o desmonte do mecanismo. As forças politicas e jurídicas contrárias são significativas.

24) O Brasil atual esta sendo administrado por um grupo de políticos especializados em operar o mecanismo, e que quer mantê-lo funcionando.

25) O desmonte definitivo do mecanismo é mais importante para o Brasil do que a estabilidade econômica de curto prazo.

26) Sem forte mobilização popular é improvável que a Lava-Jato promova o desmonte do mecanismo.

27) Se o desmonte do mecanismo não decorrer da Lava-Jato, os políticos vão alterar a lei, e o Brasil terá que conviver com o mecanismo por um longo tempo.

"José Padilha é um cineasta, roteirista, documentarista e produtor cinematográfico brasileiro. Graduado em Administração de Empresas, estudou Economia Política, Literatura Inglesa e Política Internacional em Oxford, Inglaterra.
Em 2007, lançou Tropa de Elite, sua primeira ficção. O filme, que foi pirateado quase dois meses antes da estréia, ganhou grande repercussão e estima-se que 11 milhões de pessoas tenham assistido ao DVD pirata. Nos cinemas, o filme conquistou o maior número de espectadores no Ranking nacional 2007. Em 15 de fevereiro de 2008 ganhou o Urso de Ouro, em Berlim."


Trechos de entrevistas de José Padilha:

"Temer e Dilma foram eleitos com dinheiro de caixa dois e de corrupção, aportado na sua campanha por uma quadrilha que achacou o estado. Desde sempre estiveram ilegais na Presidência da República. Todos nós sabemos disso. O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) também sabe."

"A Lava Jato não tem viés político nenhum. É uma operação policial, ponto. Para entender o que está ocorrendo hoje no Brasil, é preciso tirar a cortina de fumaça que nubla os fatos. Existem três processos históricos distintos andando em paralelo e se retroalimentando. A combinação de mal-estar com a economia, revelações da Lava-Jato e a atuação de uma imprensa livre e combativa. Tudo isso produziu algo inédito no país: o andar de cima ficou vulnerável à aplicação da lei. É o que está acontecendo de concreto. Em torno disso, tem muita espuma: a tentativa de transformar um fenômeno de natureza policial e legal num embate político. Toda vez que alguém fala dos indícios avassaladores contra Lula, um petista diz que o PSDB também rouba. Tenta-se transformar tudo numa questão ideológica. Mas tudo é caso de polícia."

"A política no Brasil – nas esferas municipal, estadual e federal – sempre funcionou assim: os partidos elegem seus representantes e indicam pessoas para cargos-chave com poder de contratar serviços públicos. Depois, superfaturam as obras e embolsam um pedaço do dinheiro, que vai para pessoas físicas e o financiamento de campanhas. O PT fez isso em volumes muito maiores – vide a compra da Refinaria de Pasadena. E o caso do PT também é pior porque o roubo sistêmico se soma a um enorme cinismo. Lula, antes, fazia o discurso da ética e da moralidade. Mas, quando chegou ao poder, não só montou seu esquema como levou ao limite da sustentabilidade o assalto a empresas estatais e órgãos públicos. Um político assim só poderia chamar para si mais ódio do que os outros, obviamente."  

Explicação psicanalítica para tantos artistas e intelectuais 
não aceitarem as evidências contra Lula e o PT, segundo ele:

"Quando você constrói uma imagem pública em torno de uma ideologia e assume publicamente posturas a favor de determinado grupo político – vai ao programa eleitoral do PT, abraça o Lula, faz campanha para a Dilma – e depois descobre que estava errado, há duas opções: aceitar seu erro ou fingir que nada aconteceu.
A maioria dos artistas e intelectuais preferiu fingir que nada de errado está ocorrendo com o partido e seus dirigentes. É um mecanismo de defesa psicológica.
 Agora, quando confrontados com o erro que foi acreditar que o PT é um partido e não uma quadrilha, os artistas e intelectuais apelam para dois subterfúgios. O primeiro é afirmar que a presidente Dilma não roubou“como pessoa física”, embora seja evidente que a campanha eleitoral da Dilma foi beneficiada por um propinoduto – disso a Lava-Jato não deixa a menor dúvida. Embora seja grave roubar para si próprio, é ainda pior roubar para fraudar o processo democrático."

21.5.17

Para o frio, lareira

Gosto da combinação de pedra e madeira. 
E gosto muito das janelas que deixam entrar o sol.


Já o tamanho, considero esse ideal.
Aquece mais e dá para assar uma carne, como é costume por aqui.

17.5.17

Inutilidades da vida


"De que me adianta viver 
     sem a inutilidade, 
          sem as gratuidades, 
               sem as façanhas lúdicas, 
                    sem a ternura que canta para acalmar a ansiedade 
                                                               que não quer se dobrar ao tempo?"


Né?

"O fusca te leva ao mesmo lugar que a BMW. Cachorro quente mata a fome da mesma forma que caviar, a água de qualquer praia é salgada como a de Fernando de Noronha. Você só não aproveita sua vida porque quer ter a vida dos outros. Esquecemos que as oportunidades vão embora e só nos resta gratidão pelo que temos. Felicidade é um estado e não um bem material."

16.5.17


Indispensável!


Imagem Pinterest      

Macarrão com brócolis


Receita adaptada e foto: Água na Boca

Ingredientes:
1 pacote de macarrão
1 copo de requeijão
1 cebola
1 maço de brócolis
1 copo de leite
alho
sal
parmesão ralado

Modo de Preparo:
Cozinhe o macarrão e o brócolis separadamente.
Pique o brócolis e misture com o macarrão.
Em uma panela grande frite o alho num pouco de óleo.
Em um recipiente dissolva o leite e o requeijão, mais o sal.
Acrescente esta mistura na panela em que está o alho frito e mexa até cozinhar um pouco.
Jogue em cima do macarrão com o brócolis.
Polvilhe com parmesão ralado.


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