17.3.10

Cordilheiras

Depois de longos anos voltei às Cordilheiras.
Sensação esquisita, nó na garganta... Ao mesmo tempo reconhecimento e estranheza.
A companhia da Kika, do Henrique e dos meus sobrinhos - Didi, Pedro e Valerinho foram a melhor coisa, nesse momento.

Não tinha voltado lá desde o acidente do meu irmão, nesse lugar tão especial, de lembranças tão doces da minha infância e das intermináveis férias de verão. Não quero mudar este olhar nem me encher de amarguras e reviver tanta dor. Então me concentro no Henrique e na sua expressão de curiosidade e alegria. É tudo tão bonito e vem um vento morno do verão que está indo embora.

Lá fora, sempre a consciência dos ciclos, do sol se pondo lentamente, para depois renascer cheio de esperanças. O inverno traz as geadas que deixam tudo cor de palha, mas a primavera faz brotar, do chão, o pasto verdinho e as incontáveis florzinhas do campo, provando que sempre podemos superar as tristezas e recomeçar tudo de novo.

As lembranças vem em forma de saudades, com gosto de lágrimas e de tristeza. Mas, com algum esforço e vontade de não mergulhar só no que me entristece, me concentro nas mil histórias que vivi nas Cordilheiras. São estas histórias, engraçadas e cheias de significados, que quero contar para meus filhos, meu neto e meus sobrinhos. E, se possível, viver novas histórias, de tardes barulhentas, banhos de rio, pescarias mal sucedidas, passeios à cavalo, brincadeiras intermináveis, nas sombras generosas das árvores que rodeiam a casa e parecem guardar segredos.

E, talvez, o segredo seja acreditar e constatar que as coisas boas não morrem nunca. O amor que sentimos se fortalece e se mantém, apesar da morte, da distância e do tempo.


O banco de pedra, na frente da casa, sempre foi o melhor lugar do mundo.


Não tiramos muitas fotos, dentro de casa, mas o corredor compridooooo foi clicado!
Foi bom sentir o cheiro dos guarda-roupas, dos lençóis, dos perfumes antigos que a mãe foi guardando, na penteadeira cheia de objetos e suas histórias...


Descobrimos que o banco de pedra virou a cama de três cordeirinhos - que o Henrique adorou!
O sol continua indo dormir dentro do velho mangueirão de pedras...
Na última foto, Kika e Pedruka comendo negrinho na panela...

4 comentários:

Heloísa disse...

Ana,
Que lembranças lindas.
Alegrias e tristezas : vida. Mas aí estão as crianças mostrando que sempre há um renascimento.
Beijo.

Clarissa Garcias disse...

Que lugar bem lindo Ana!!
Parece um cenário.

James Pizarro disse...

Agora é fácil de entender porque, nos tempos de antigamente, porque o dono da fazenda era enterrado no alto da coxilha onde ele viveu a vida inteira. Passeando pelo RS ainda se encontram muitas destas sepulturas.
Meu amigo e colega ecologista José Lutzemberger foi enterrado nu, conforme queria, embaixo da árvore onde tomava chimarrão em seu sitio RINCÃO GAIA, em Pântano Grande (Rabelândia). Hoje seu corpo decomposto e absorvido pela mãe Terra deve estar circulando como seiva nas entranhas de sua árvore predileta. E meu amigo Lutz deve estar se transformando em broto, flor e fruto.
Quer coisa mais ecólogica do que isso ? Do que ser reincorporado ao caudal da vida para que outros possam continuar vivendo ?
Aninha : tu és bióloga, mãe e agora avó. Sabes do que estou falando...
Beijo

James Pizarro

Rosamaria disse...

È a vida, Anabacana! Às vezes precisamos exorcisar nossos maus momentos. Eu ainda não voltei lá na casa da mãe. Qualquer dia eu vou.
O lugar é muito bonito, as fotos de lá dizem tudo.
Bjim.

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