"Há uma confusão muito comum entre ter valores e opiniões sobre comportamentos, e achar que se tem o direito de julgar esteticamente alguém. São coisas completamente diferentes — e misturá-las produz preconceito disfarçado de opinião.
Opinar sobre atitudes, escolhas éticas, formas de se posicionar no mundo, faz parte da convivência humana. O que não faz parte é acreditar que aparência, idade, corpo, cabelo, roupas ou tatuagens autorizem qualquer tipo de julgamento!
Quando alguém diz que “cabelo longo não combina com mulher velha”, não está expressando gosto pessoal. Está reproduzindo um padrão excludente, que tenta enquadrar pessoas em moldes estreitos, muitas vezes cruéis.
Esse tipo de julgamento não nasce do cuidado, nasce do controle. Controle do corpo feminino, do envelhecimento, da liberdade estética e, no fundo, da identidade.
O mesmo mecanismo aparece quando se olha para uma mulher tatuada como eu e se projeta nela rótulos, histórias ou intenções que não me pertencem.
A tatuagem, assim como meu cabelo grisalho, vira pretexto para desumanizar, reduzir e enquadrar.
Há preconceitos que surgem como “conselhos”, “opiniões sinceras” ou “preocupações”. Mas continuam sendo preconceitos. E quanto mais cedo isso é percebido, mais fácil fica retirar esse tipo de julgamento da própria vida — tanto quando vem de fora, quanto quando é reproduzido internamente!
Eliminar o julgamento estético não significa perder critérios, nem abrir mão de valores.
Significa apenas devolver a cada pessoa o direito básico de existir no próprio corpo, no próprio estilo e no próprio tempo, sem precisar pedir permissão para isso!!"

Nenhum comentário:
Postar um comentário