20.8.26

Precisamos, mesmo, disso? De botox, procedimentos, harmonizações, cirurgias plásticas?


O vídeo acima (Emma Zeck) provocou essa importante reflexão da Renata Oliva:
"Você sabem que defendo a feminilidade, a beleza como virtude. Acredito que devamos sim nos cuidar muito bem e zelar pela aparência, buscando harmonia, equilíbrio e radiância. Mas eu não vou dizer que esse vídeo não falou umas boas verdades. Eu não vou ser a blogueirinha que em busca de agradar uma bolha específica, deixe de crítica quando precisa ser.

Uma coisa é cuidar de si. Outra coisa muito diferente, é ser escrava do sistema. E pior, um sistema que se apoia na carência e na necessidade de validação da mulher atual.

A mulher não tá cuidando de si. Muitas estão tentando corrigir a própria existência. E eu acho muito triste o que fizeram com a mulher.

Fizeram a gente acreditar que envelhecer é uma tragédia, que ter celulite é desleixo, que ter linha de expressão é abandono, que ter poros é defeito, que ter barriga é fracasso, que ter um corpo que parece um corpo humano é quase uma afronta.

E o pior é que venderam tudo isso com o nome de “autocuidado”. Mas esse “autocuidado” tem raiz num lugar tenebroso: a rejeição.

A necessidade de ser amada, de se equiparar, não de não ficar pra trás, de ser escolhida, de estar em evidência; de não ser trocada, de ficar parecida com a fulana, e completa ausência de identidade, tem fomentado o maior mercado de todos os tempos. O mercado da ilusão feminina de ser especial. De ser a mais bonita… porque um dia você acreditou que beleza põe mesa.

Se pergunte: e se ninguém pudesse ver?
Se não existisse Instagram, se não existisse foto, se não existisse story, se você nunca pudesse postar o antes e depois, se ninguém soubesse que você fez aquele procedimento, você ainda faria metade do que faz?

Sua resposta diz muita coisa.
90% não é sobre beleza.
É sobre ter atenção.
Sobre ser desejada.
Sobre ser escolhida.
Sobre validação.
Sobre não se sentir inferior à próxima mulher que aparecer na tela.

E é aqui que tudo fica ainda mais absurdo.

Mulheres estão literalmente cortando o próprio corpo, injetando substâncias no rosto, alterando traços, vivendo com fome, se endividando, sofrendo dor, tudo para alcançar um padrão que muda a cada poucos anos."

Renata Oliva 

"Mulheres estão literalmente cortando o próprio corpo,
injetando substâncias no rosto, alterando traços, vivendo com fome,
se endividando, sofrendo dor,
tudo para alcançar um padrão que muda a cada poucos anos."

"Fizeram a gente acreditar que envelhecer é uma tragédia, 
que ter celulite é desleixo, que ter linha de expressão é abandono, 
que ter poros é defeito, que ter barriga é fracasso, 
que ter um corpo que parece um corpo humano é quase uma afronta."

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